terça-feira, 18 de junho de 2013
Entre Protestos e Vaias
©2007 Jorge Lemos
Entre Protestos e Vaias
O mundo se faz pequeno…
O surgimento das redes
sociais através da Internet, possibilitou, como tempestade, raios em todas as
direções. Aquele microchip da era 70/80, um “pequeno grão de areia”,
possibilitou transformar em terra plana o nosso globo. A permanente troca de
informações, mesmo sem falar idiomas outros (pois os programas tradutores assim
o viabiliza), une as pessoas ao longo terra. A tecnologia derrubou o Muro de
Berlin e, em consequência, o império soviético. Nós, em nossos lares,
acompanhamos a guerra no Iraque, assistindo o lançamento de bombas em objetivos
definidos. As grandes catástrofes (como o Tsunami) são acompanhadas em
todos os quadrantes do planeta assim como guerras, revoltas, posições
políticas, sociais, etc. - o mundo é outro !
A introdução acima,
saudosamente lembrada por mim como “nariz de cera” (abro um parêntesis e peço
licença ao nosso Ruy de Oliveira para utilizar uma linguagem que muito
representou em nosso passado profissional), já diz por si só o que a tecnologia
representa para os nossos dias. Procuro me situar no tempo presente e
estabelecer, mesmo que superficialmente, uma análise dos nossos últimos
acontecimentos aqui no Brasil.
Não o faço voluntariamente.
Explico a razão: uma pessoas amiga, também velho jornalista, chama-me ao Skype
e pede uma rápida dissertação sobre os últimos acontecimentos e a vaia recebida
pela Dilma, em pleno “Mané Garrincha”, em Brasília. O amigo quer a minha
opinião.
Satisfaço-o segundo a minha
ótica. Observo: Não há mais espaço em qualquer setor da administração pública para
se brincar com a opinião coletiva. A difusão do pensamento - o que definiu e
nos ensinou Jung sobre o pensamento coletivo e a Sincronicidade. Tão avançada
quanto a tecnologia, a energia do pensamento se propaga e enfeixa todo um grupo
e a ação coletiva se manifesta - seja para a violência como para os atos
salutares dos protestos e reivindicações.
O coletivo é sábio e a
velha chave latina se faz presente; “Vox Populi, Vox Dei”. O povo
expressa um grande desejo: não quer Arenas (circo), quer honestidade,
transparência, saúde, educação, transporte e Justiça. Quer acabar com a
impunidade. Quer segurança. Essa manifestação nas ruas não é pelos 20 centavos
do aumento das passagens. Observa-se nas redes sociais toda a insatisfação
coletiva e o favorecimento à impunidade. As ruas e as praças são, como diz Castro
Alves em seu poema: “A praça é do povo como o céu é do Condor”.
Dilma ouviu e não gostou do grito de Guerra, dentro e fora dos
estádios, que, construídos, consumiram milhões e milhões de reais e que
proporcionaram falcatruas mil.
Isaac Asimov, em “Fundação”,
fala sobre o inconsciente coletivo já por mim abordado aqui sobre o que é “Mentálica”.
Concordo com ele: “Há um momento em que todos movem suas mentes e projetam no
espaço vivo o que sentem !” e por isto é que “não há mal que nunca acabe”.
O Brasil está vivendo este
momento, pois o limite da impunidade já se fez. A verdade aflorou
aos olhos do mundo. A maioria absoluta que se encontrava no estádio virou as
costas para Dilma e a vaiou com prolongado e sonoro coro de repulsa. Acredite:
foi o mais sonoro acontecimento que observei e registrei em toda minha vida. Se
lá estivesse, pagaria o dobro do valor do ingresso para ter este mesmo prazer !
Como registro, e notícia à
parte, o Blatter (aquele mesmo que mereceu de um colega jornalista
inglês o título de “Chefe da Capo”), presidente da FIFA, quis passar um
pito nos espectadores e recebeu idêntica e estrepitosa vaia. Ele, Blatter,
não respeitou o velho ditado: “quem tem telhado de vidro não joga pedra em
telhado alheio”. Falou, levou! Quem não tem moral não pode ensinar aos que têm.
O presidente amoral da FIFA foi reduzido ao sumo extrato do gás intestinal - uma
grande lição aos políticos está sendo dada !
É muito bom lembrar meus
leitores sobre o que disse Pedro Simon, Senador do PMDB: “Se o ex-presidente
Collor fosse hoje julgado, por certo o processo tramitaria no Juizado de
Pequenas Causas”. Concordo com Simon. Curioso é que muitos são os sinais,
poucos os intérpretes. A história é farta de ensinamentos. Não tenho, como
afirmo sempre, Bola de Cristal, mas a experiência de vida me ensinou:
“Acautelem-se senhores administradores, tomem jeito. Procedam com respeito para
com o dinheiro público. O Mar não está para peixe. Sei que se conselho fosse
bom eu estaria rico pelos constantes avisos que minha coluna encerra.
Para onde vai desaguar este
momento? Faço também esta pergunta. Aviso aos políticos: quando se vê a barba
do vizinho arder, que coloque a sua de molho.
Vem ferro grosso por ai !
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sábado, 16 de fevereiro de 2013
Para Falar de Tristeza
©2007 Jorge Lemos
Para Falar de Tristeza
Vi-me preso a muitas lembranças ao preparar-me para este, por enquanto, radioso dia que se inicia.
O Sol já se faz presente, expulsando o temor de trágicos momentos como os que vivemos há dois dias com os temporais e com o ciclone que arrancaram árvores plantadas pelas minhas próprias mãos, com a ajuda da minha Estephania e de nosso querido filho Georginho.
Passamos anos e anos seguidos vendo-as crescer e imaginávamos um benigno bosque onde, à sua sombra, a velhice me permitiria percorrer o distante passado.
Lá se foram, pela fúria dos ventos, três seres vivos e distintos que compunham nossas vidas. Choramos (sem vergonha alguma, confessamos) a perda das três amigas arrancadas do solo como um simples objeto de adorno de um presépio qualquer. Vê-las caídas e o afiado machado cortando seus membros causaram-nos profunda tristeza. A cada golpe desfechado, a dor da perda de uma parte dos nossos corpos.
Lágrimas me vieram aos olhos e um estado quase letárgico de mim se apossou. Uma viagem pelo tempo em mim se fez. Retornei no tempo e vi o deplorável estado do meu Estado, Espírito Santo, perdendo suas imensas e ricas florestas pelos abates criminosos das mãos ávidas pelo lucro fácil.
Transporto-me, quase em transe, ao tempo em que o Brasil estava sendo descoberto. A destruição do pulmão do mundo pelo imundo gesto predador dos destruidores e da famigerada Cia. de Jesus, de propriedade dos Jesuítas, que comercializavam a madeira para Portugal até extinguir, por completo, o nosso “Pau Brasil”, com o fim de extrair o vermelho da sua seiva e transformá-la em tintura para as vestes das damas elegantes do seu tempo.
Barbaridade, atrocidade, ensinamentos nefastos para o caminhar do homem em busca das coisas materiais.
Podridão!
É... E em nome de Deus muitas coisas brutais foram praticadas.
Devemos entrar em momento de profunda reflexão. Penso em minha vida e na minha pequena contribuição para recuperar um pouco da dignidade perdida pela nossa ancestralidade.
Meu sonho em poder ajudar a recompor o verde se iniciou exatamente através dessas três primeiras árvores plantadas em minha Quinta (Chácara). Além delas, as inúmeras árvores frutíferas que aqui também são mantidas para alimentar os Saguís, os Esquilos, os Ouriços, os Gambás, os Jacús, os Sabiás e outras tantas aves que já se encontravam a caminho da extinção e hoje, em casa, encontram abrigo.
Lá fora, o machado corta os galhos. A cada batida, uma palavra nova sai neste texto a partir do qual, sinceramente, espero cada um dos leitores reflita.
É tempo de recuperar algo que foi perdido pelo caminho do tempo:
AMOR pelos iguais e pelos diferentes!
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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Desabafo de Um Velho Descrente
©2007 Jorge Lemos
Desabafo de Um Velho Descrente
De ver triunfar tanta e tanta
bandalheira e insensatez, a ânsia de vomitar verdades me atinge.
“Onde ficou a vida que a gente perdeu vivendo?” (T. S. Elliot)
A tragédia de Santa Maria exige
mais do que o nosso sentimento de perda.
Exige o nosso repensar, e muito, sobre os perdidos valores humanos. Obriga-nos,
essa macabra tragédia, a examinar o nosso comportamento pessoal e a nos
esforçarmos para ajustar o momento em que vivemos e a criarmos bases sólidas de
respeito humano.
Estou indignado!
Na tragédia, vejo a ilimitada
ganância de indivíduos através da irresponsabilidade do Lucro fácil, a omissão
e a incapacidade administrativa. Registro o completo descaso pelas Leis
vigentes, e completamente falidas, pelas nossas instituições por parte das muitas
administrações. Falam mais alto todas as iniqüidades dos homens de todas as
classes sociais. Não vejo seriedade nos meios educadores da nossa nação.
A tragédia hoje choca, mas, como
certeza, como tantas outras, amanhã estará esquecida. Não bastam somente as
preces e as lágrimas causadas pelo impacto da tragédia, há necessidade de que a sociedade se conscientize da sua permanente responsabilidade
para com o meio que habita.
Enquanto a ganância perdurar no homem, todo o
meio se corrompe - bebidas e drogas sempre
imperam nesses antros e o poder das Leis é subtraído.
Limpem dos seus olhos as lágrimas
vertidas, acordem!
Vejam a crueza em que vivem os
nossos jovens. Segundo as informações
transmitidas, “70% dos que lotavam aquele maldito recinto eram compostos de jovens
entre 16 e 20 anos” (Sic Globo News). A mim causou horror ver os corpos de jovens nas
calçadas à espera de remoção. E olha que, como jornalista, eu já cobri guerras
e revoluções.
Perguntei-me: Onde estariam os pais para não observarem os
riscos que envolvem seus filhos?
Em uma reunião pública, uma
autoridade, em seu discurso, fala em alto e bom som: - “O polêmico Jorge Lemos...”.
De pronto a interrompo e afirmo –“POLÊMICO
SIM! OMISSO NUNCA!”
A tragédia provoca manifestações
e notícias discordantes são dadas. Políticos se aproveitam da ocasião para
tirar vantagem, enquanto o cumprimento das Leis não se faz.
Há afirmativas de que o Alvará do
estabelecimento estava vencido desde Agosto. Como promover uma festa amplamente
divulgada sem o conhecimento das autoridades? Há responsabilidade criminal
nesta tragédia? Onde estavam os Agentes e órgãos fiscalizadores?
HÁ, SOB O MANTO DO TERROR, MUITA E MUITA
OMISSÃO!
Minha pequena experiência nestes
65 anos de andanças no campo jornalístico levam-me a deduzir que, por certo, as
carteiras de muitos e muitos ficaram recheadas enquanto promissoras vidas se
perderam.
Que Deus, ao receber tantas vidas,
nos possibilite não só chorar os mortos mas, principalmente, nos ofereça a chance
de clarear nossas vistas para que evitemos outras tragédias semelhantes.
Transtornado pelo infausto
acontecimento, clamo: Chore Dilma. Chore internamente, revise o seu momento e
comece, de alto a baixo, a limpar a bandalheira, a corrupção, os desmandos, os
desrespeitos às Leis, pois estes maus procedimentos comuns e corriqueiros em
nossos dias só levarão a tragédias semelhantes.
Chore Dilma! Não as “lágrimas de
crocodilo” tão comuns nos meios políticos, chore a dor de um pai, de uma mãe,
de um irmão, de um amigo que clama para o sofrimento da perda da dignidade de que
tanto carece nosso País.
.
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sábado, 22 de dezembro de 2012
Hoje Eu Falei com Deus
©2007 Jorge Lemos
Hoje Eu Falei com Deus
O Natal, ou seja, a comemoração da Natividade (nascimento de Jesus) nos coloca em profunda necessidade de reflexão.
Neste período, desde muito jovem (com a perda do meu pai exatamente próximo a este dia), gosto de ilhar-me, afastar-me mesmo, para pensar sobre os meus momentos. Procuro estabelecer metas para acertar os ponteiros do meu relógio interior. Comparo os feitos e busco os desacertos - hora certa para uma profunda avaliação de vida.
Sei que muitos amigos acham estranho esse meu comportamento. A eles, peço respeito. Quero falar comigo mesmo, com meu interior !
Algo precisa ser dito: Recolho-me também para não ver hipocrisias e, com sinceridade, quero me afastar. Pelo menos nesses dias, distancio-me das falas macias, da falsidade de muitos.
Gostam de verdades?
Dá-me tristeza ver o mundo à minha volta a se esfacelar. Pela ganância, foi criada uma máquina de sedução consumista - o que contraria totalmente a história primitiva sobre a vinda prometida do Salvador: Somos todos iguais perante Deus!
Foi só no Século IV que a Igreja Católica Romana introduziu a data de 25 de Dezembro como o dia do nascimento de JESUS. Devemos nos lembrar de que o calendário Gregoriano foi ajustado séculos após o nascimento do Senhor. Prevalecia, até então, o calendário judaico cujas festividades passaram a obedecer o espírito Romano, com suas festas pagãs de comemoração ao Solstício de Verão.
Como podemos observar, há sempre um acontecimento que precede o outro. A mutação da História obedece ao duto das necessidades de domínio.
Mas, o que quero dizer com isso? Que ocorreu esse ajuste histórico onde a festa pagã se mescla à religiosa, onde a riqueza das colheitas do verão faziam fartar as mesas dos povos, o que nos abre um convite amplo para refletir sobre nossos atos e sobre nosso momento, até nos abstermos, através do jejum, como um sacro oficio, como uma forma de compreendermos as necessidades de tantos e tantos famintos espalhados pelo mundo.
Falo com Deus!!
É explicitamente claro. Mesclo-me e integro-me à Sua energia, e as respostas me vêem claras e transparentes como água pura que brota do seio da terra e que, por benesse Divina, mitiga minha sede.
Sublimo-me!
Mesclo-me às crianças famintas da África, e de todas as partes do mundo, em sua fome de vida. Pela possibilidade de unir-me a uma Força Maior, percorro corações dos muitos senhores de grande poder e vejo neles a carência de sentimentos que lhes proporcionariam acender dentro dos seus peitos uma chama - uma grande chama: a da Luz da Solidariedade!
Reflito: De que adiantam as mesas fartas de iguarias, ceias pomposas e repletas de guloseimas se ali na África explodem fome e miséria? Saber que os ribeirinhos do Amazonas estão condenados pela propagação indiscriminada de doenças que, de há muito, deveriam estar erradicadas.
Pensem: Enquanto nos fartamos em “ceias de mil manjares”, muitas escolas e creches do Nordeste vão se fechando porque as verbas governamentais para a alimentação lá não chegam - ficam pelo caminho, enchendo os bolsos dos impuros e apaniguados de um Poder corrupto !
E os senhores “donos do poder” dizem que nada sabem. Suas mentiras são tantas que eles próprios passam a acreditar como verdades !
Sinceramente, vocês têm coragem de se regozijar em volta de uma mesa farta vendo tanta miséria, corrupção, mentira e engodo ao seu lado? A mim me parece que nos acostumamos com a podridão.
Acreditem: Eu hoje falei com Deus! Ele entrou no meu peito e me instruiu a transmitir a todos este pequeno lembrete:
“FILHOS, OS MAUS NÃO SÃO BONS PORQUE OS BONS NÃO SÃO MELHORES!”
(Jorge A. G. Lemos – Morada de São Francisco – Louveira, Brasil)
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Divagante Devaneio
©2007 Jorge Lemos
Próximo à Nascente do Rio São Francisco, em Minas Gerais
Divagante Devaneio
Leio, com muita atenção e por diversas vezes, um poema escrito por Carlos Drummond de Andrade: “Velho Chico”. Impressionante a forma descritiva. Só um gênio como o do Carlos para descrever a agonia e a morte do seu rio.
Procuro comparar a minha obra “Meu Amargo Rio Doce” em que descrevo e comparo a morte daquele rio, o São Francisco, com o do velho Mário de Andrade quando escreveu os funerais do Tietê.
Será que todos os poetas são iguais? Buscam elementos da natureza pródiga para se associar e, por analogia se unir por um imaginário cordão umbilical?
Penso, talvez por termos passado nove meses envoltos em água, fazemos de um rio a nossa mãe e, ao vê-la agonizando, com ela morremos um pouco!
Divagando, salto para um sertão bravio ao abrir “Sagarana”, aquele magistral trabalho do meu irmão mais velho, o João. Estranharam? Meu irmão sim! João, o Guimarães Rosa é um irmão de ideais e sonhos. Ambos fomos formados da mesma argila impregnada de um amor extenso pelos homens e terras rudes.
Épocas distintas separam-nos. Mas, espírito formado e derretido no mesmo cadinho onde o fogo de Deus misturou-nos. Carlos, o Drummond, de soslaio nos olhava e dizia:
“Itabira que me perdoe, mas vou deixar para o João o sertão e para o Jorge o Rio doce que nasce ali pertinho, na Mantiqueira, mas fico com o “Velho Chico” me apropriando dele sem pedir para ninguém. Quem não gostar que cuide dele depois que eu me for!”
O Thiago, aquele, de Mello, num canto espiava tudo. Aquele risinho de mofa que esconde no canto da boca diz:
“Se faltar água eu empresto um pouco antes que o matem. Meu Negro e o Solimões quando se juntam podem inundar o mundo: e ele é meu!”
Fujo então do devaneio deste encontro e, aleatoriamente, abro “Sagarana”, aquele do meu irmão João. Em uma das primeiras páginas com quem me deparo? Bato de chofre com o Carlos, desta vez fazendo o preâmbulo no livro do João. Leiam comigo esta preciosidade:
Um Chamado João Rosa
João era fabulista?
Fabuloso?
Fábula?
Sertão místico disparando
no exílio da linguagem comum?
Projetava na gravatinha
a quinta face das coisas
inenarrável narrada?
Um estranho chamado João
dava para disfarçar, para forçar
o que não ousava compreender?
Tinha pastos, buritis plantados
no apartamento?
No Peito?
Vegetal ele era ou seria passarinho
sob a robusta ossatura com
pinta de boi risonho?...
E assim vai Carlos falando em quatro páginas sobre João, meu irmão das palavras rudes do sertanejo andejo como eu.
Fala João e a troante voz se expande em tantos e tantos ouvidos que, francamente, não acredito que o povo inteiro não o tenha ouvido.
Fala João! Responda João!
Se, do outro lado, aquele que ontem requisitou o arquiteto, o Oscar, quer construir um espaço maior que possa abrigar este nosso povo inteiro: que não falte a tinta no tinteiro daquela Parker 51 que eu emprestei ao João e ele nunca devolveu.
João era assim: na hora que sentava para autografar livros, perdia a noção do tempo e do espaço, ficava plantado entre anjos e, vez por outra, apertava o nó falso da gravata borboleta e sorria olhando para o alto. Era assim que João falava com Deus, daí...
João era assim: na hora que sentava para autografar livros, perdia a noção do tempo e do espaço, ficava plantado entre anjos e, vez por outra, apertava o nó falso da gravata borboleta e sorria olhando para o alto. Era assim que João falava com Deus, daí...
O pouco que sei, aprendi com você João! Amo você, João !
Sei que pode haver amor entre os homens, assim como amo aquele ali, o Rui, meu irmão mais velho e o Adhemir (com H), se cada um de nós assim o quiser.
Obrigado, Carlos, por falar tanto do velho João. João Guimarães Rosa, o sertanejo como eu!
“Gente: João sorria se lhe perguntassem que magia de mistério ele guardava para escrever coisas que ele nunca tinha visto?”
Sinceramente, eu tenho respostas que ele me confidenciou, mas só as revelarei quando nos reunirmos, os cinco: João, Carlos, Thiago, eu e o Oscar - aquele que foi levado dias atrás - para discutirmos os projetos que o Oscar vai traçar em sua prancheta quando ele projetar um novo mundo cheio de poetas.
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segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Geração Virtual
©2007 Jorge Lemos
Geração Virtual
Sei que a tecnologia tem proporcionado aos seres humanos resultados na melhoria da qualidade de vida de forma surpreendente. Alinho-me, entretanto, com aqueles que acreditam que o uso das inovações deva ser enquadrado por pessoas dentro dos limites que não criem riscos a terceiros.
Cresci a partir do Rádio receptor a galena e me ufano de ter passado, desde o velho Linotipo e da impressora plana do velho jornalismo, ao advento da nascente televisão. Posso assegurar que o uso da tecnologia, em minha vida, foi meio para o meu sustento e favorecimento para a o meu desenvolvimento intelectual. Desde a velha máquina “Regminton” à moderna e elétrica IBM eu usei. Usei o primeiro computador, o TK 85 e usei o “Basic” como programa para alinhavar textos. Hoje uso um moderno computador HP com duas impressoras, também HP, Laser e Cores, e a internet via rádio para falar com o mundo.
Algo, entretanto, me preocupa: a tecnologia está sendo compreendida e racionalmente usada pelas populações no mundo inteiro? Leio, com muita atenção, o resultado de uma séria pesquisa em universidade de tecnologia norte-americana que nos deixa realmente preocupado: O uso indevido da telefonia móvel por condutores de veículos em trânsito tem proporcionado um avanço de 54% nos acidentes rodoviários e aumento crescente nos perímetros urbanos na proporção de 8% a 9 % ao mês. Está sendo estudada uma Lei que regulamente o fabrico de veículos com bloqueio automático ao se ligar ou atender um telefone móvel. O condutor seria obrigado a parar e desligar o veículo para proceder à chamada e/ou receber mensagens. Excelente seria para o nosso trânsito, onde o abusivo uso do celular, vem fazendo crescer as estatísticas de violência e geração de graves acidentes nas ruas e estradas brasileiras.
Como nos comportávamos no passado sem este veículo de comunicação, o celular? Sei que é vital à sobrevivência humana neste mundo plano estarmos unidos pelos meios rápidos de comunicação. Mas há um abuso generalizado no uso do celular. Absurdo: o uso público incomoda.
Fui a determinado restaurante num shopping e me causou até repugnância: em todas as mesas do restaurante repleto havia, em cada mesa, um ou dois usando tal instrumento. Posso parecer um chato, mas pensem bem: não está havendo um abuso generalizado? É a “Geração Zumbi”, aquela que fica presa dois terços do seu tempo ou ao computador ou ao celular. Denomino de “Geração Zumbi” porque está completamente alienada, distante da família, dos folguedos, da bolinha de gude, da amarelinha, das “peladas” e dos banhos nos rios. Como ficará o futuro se esta geração é escrava da tecnologia virtual?
Poucos lêem um livro, não estudam, acessam o “Google” e já pegam o resumo de suas matérias sem sequer ler o conteúdo. Geração que fala por monossílabos. Não conhece um poeta, não escreve um texto que tenha conteúdo. Anda pelas ruas com seus equipamentos mais que modernos (enumerá-los aqui ocuparia a pagina inteira) e não mantém um diálogo racional com qualquer um. Espero reproduzir, em breve, um diálogo entre um jovem intelectual e um da “Geração Zumbi”, vocês ficarão aparvalhados. A internet, quando usada racionalmente é um instrumento valiosíssimo para a civilização moderna.
Através dela, hoje, até cirurgias são executadas à distância. O comércio, a indústria, a segurança e o controle aéreo ou marítimo, ganharam uma nova dimensão - universal. Esta tecnologia me apaixona. Estamos ganhando a conquista do cosmo em, até, viagens interplanetárias e a maior parte da população (especialmente juvenil e infantil) mergulhada na perda de tempo precioso para construir um futuro digno. Há exceções - essa minoria eu admiro e respeito. Talvez poucos dos meus leitores saibam: o grande salto nas comunicações, unindo continentes, foi propiciado pelo rádio - revolução tecnológica. Navios munidos do sistema e usando o chamado Código Morse passaram a oferecer segurança e controle.
Quantos resgates de sobreviventes em naves soçobradas ocorreram no passado? Centenas! E os cabos submarinos? Lembre-se que uniram povos. Depois descobriram as válvulas de Diodo, Catodo, Bobinas, Filamentos e etc. O uso de feixes de ondas como curtas, médias, tropicais, possibilitando encurtar distâncias. Vem a TV e as imagens unem povos.
Perdoem-me: somos de um tempo (tanto o Rui de Oliveira e alguns poucos) em que a virtude maior era a de aprender e usar a cabeça em busca do plano ideal de qualidade de vida e distribuir a nossa experiência aos ávidos buscadores de conhecimento. A nós não bastava só o dinheiro e as coisas materiais. Elas sempre foram uma decorrência da nossa qualidade de percepção e racionalidade.
Os tempos atuais nos preocupam. Imaginem se acabar a energia elétrica. Como sobreviverão os de hoje?
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sexta-feira, 14 de setembro de 2012
Giro Oportuno pelo Passado (1)
©2007 Jorge Lemos
Cornélio Pires
Acreditem: sou, singularmente, um saudosista.
Tenho falado muito sobre política atual, mas irei me dar uma pausa. Vou me presentear com um bom descanso. Amenidades e lembranças farão parte dos meus próximos momentos aqui no Sombras e Fragmentos. Vamos, então, para um passeio pelas coisas do passado.
Um bom amigo, o Germano, vem a mim com um livro em suas mãos. Livro, carinhosamente tratado por longos anos, talvez um raro exemplar de uma publicação que fala das “paulistinices interioranas”. O título do mesmo é um velho encontro das minhas andanças com o inesquecível escritor Cornélio Pires, “Conversas ao Pé do Fogo”, preciosidade literária que nos leva a lembranças do Cornélio nos seus antigos programas de radio, quando suas histórias prendiam ouvintes.
Os “causos” iam desfilando e o centro das narrativas girava em torno dos “picadores de fumo goiano”, nossos caipiras. Cornélio foi um estudioso profundo dos costumes e do folclore. Conhecia, como poucos, a riqueza dos costumes caipiras e a riqueza do linguajar caboclo do país de antanho. Escreveu ele dezenas de livros. Este que se encontra hoje em meu poder vem datado do ano de 1921, original trabalho que recebeu o titulo de “Conversas ao Pé do Fogo”, editado pela Imprensa Oficial do Estado – IMESP. Quem vai ficar também feliz com o papo a ser mantido é o amigo Caio Lucchesi.
Cornélio foi, em sua época, um recordista de venda de livros.
Quando indagado sobre o seu sucesso ele respondia sempre: “Fácil, muito fácil de explicar: é que não escrevo para os letrados,... escrevo para o povo!”. E, com este procedimento de escrever para pessoas simples, os fez buscar novos e talentosos autores.
Cornélio nasceu na cidade de Tietê, (“Tietêr”, como dizia ele, sorrindo), e pode ser considerado o pai e incentivador da denominada ”Cultura Caipira”, a mesma que inspirou Monteiro Lobato a escrever o “Jeca Tatu”.
Fui, e sou, um ardoroso fã do velho mestre Cornélio. Suas músicas, seus textos, suas crônicas, seu causos e a dissertação dos costumes caipiras, as narrativas sobre a escravidão, o anedotário e seus estudos, deram-me, também, uma grande contribuição para minha formação literária. Seus exemplos de vida, de uma humildade consciente e sorriso permanente, foram fontes que nos embebedaram de ensinamentos em nossa juventude.
Conheci Cornélio quando o entrevistei, lá pelos anos de 49-50, para uma publicação espírita, culto que ele abraçou e viveu inteiramente. Não posso deixar de reconhecer que muito dos seus ensinamentos de mim se apossaram e, inclusive, levam-me, na minha lida literária, a buscar nos vários regionalismos deste país imenso. Fatos que ilustram sempre o meu trabalho. Como Cornélio Pires, eu também sou um “ciscador” de palavras, como digo em meu livro de poemas “Ganga Viva e Pedra do Diabo”.
Tomo a liberdade de usar, neste meu espaço, com humildade, uma elevada homenagem ao espírito deste irmão caboclo autêntico, reproduzindo parte de um texto seu.
Sintam comigo a pureza e a leveza da sua imensa criatividade:
“Vagava triste, o caipirote, perdendo dia a dia, amor ao trabalho. Em casa, sorumbático e quietarrão, sentava-se à beira do catre, abria o baú, tirava um lencinho que lhe dera a “inamorada” e ficava assim, horas esquecido. Outras vezes, pegava da viola, no silêncio do quarto, achegava-a ao coração encostando-lhe o ouvido, olhos fixos no chão, ponteando as cordas e cantarolando baixinho, amargurado, versos cheios de dor. Aquela garça mimosa, rainha do ribeirão, lá se foi pro mundo a fora levando meu coração. Suspiro, gemo, soluço; A sódade me atropela... Ai! Agora só me resta é namorar a casa dela.”
Assim era o Cornélio, aquele que mudou de planos em 17 de Fevereiro de 1958 quando foi chamado para compor a legião de escritores lá em cima. Lamentei, por me encontrar fora, de não ter ido ao seu sepultamento e jogar sobre seu leito um punhado da terra paulista que ele tanto amou. Mas guardo em meu peito a saudade deste mais que admirado Cornélio Pires - homem que eternizou o caipira brasileiro. Aqui, nosso respeito.
Jorge Lemos
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Carta a Amigos Especiais
©2007 Jorge Lemos
Carta a Amigos Especiais
Uma rápida visão do nosso momento comprovará que a sociedade moderna está vivendo momentos de extrema distonia que podem nos levar - a todos - a conseqüências imprevisíveis.
Os sintomas são claros e preocupantes. A violência é o que se faz mais presente; e são muitas as formas de violência.
Todos os dias vários fatos comprovam nossa preocupação. Crimes, como assaltos e assassinatos, tráfico, corrupção, desatinos administrativos, se somam em ordem exponencial e, com isso, as nossas reservas de tolerância e paciência se esgotam. Em conseqüência, o mal do momento - que é a depressão - nos pressiona.
Os divãs dos psicólogos e as clínicas psiquiátricas, bem como os centros de atendimento a distúrbios coronarianos, se tornaram itens mais que comuns em nossos dias.
Há cura para tantos males? Há!
Tenho, talvez, até de forma radical, mostrado, com clareza e aspereza, as minhas preocupações. Busco respostas!
Sábado passado estivemos reunidos, em grupo, numa Ordem a que pertenço. Duas horas de ampla exposição e discussão plena do que nos leva às síndromes dos conflitos e das adversidades. Em boa hora, as colocações nos levaram a pensar, e repensar, sobre esse nosso instante comprovadamente preocupante.
Aproveito para elogiar a ação do irmão Antonio Carlos Negri pela iniciativa, pois, nada melhor que a somatória de experiências (as mais diversas e inteligentes, mesmo) para se chegar a um resultado próximo do ideal.
A sociedade como um todo, através de ordens religiosas, carismáticas, exotéricas e esotéricas, filosóficas, fechadas e abertas, cientificas ou leigas, necessitam se agrupar para a busca da Luz. Ela, a Luz, existe, e a fé, a esperança e a ação podem mover montanhas.
Acredito piamente que devemos buscar o campo propício para enfrentar essa onda de terror que envolve o mundo. Se as trevas estão se impondo, que acendamos todos os palitos de fósforo para clarear o meio à nossa volta. A natureza grita e clama por nossa presença e trabalho, pois o mal campeia livre e solto.
Curiosamente, surpreendi-me com a elevação do nosso conhecimento neste propício encontro. Aprendemos que a energia acima de nós nos move e nos alimenta, pois nos encontramos ansiosos no aguardo de dias mais tranquilos.
Temos que oferecer nossa contribuição, por menor que seja.
Temos que compreender que alguns atributos que possam nos levar a resultados compensadores passam a ser fundamentais. Alguns deles? Integridade, amor, lealdade, perseverança, coragem, ação.
Podemos encontrar dentro de nós mesmos a forma ideal de não ceder o espaço que nos pertence por direito da Criação Divina.
O que enfrentamos em nosso dia-a-dia são os desafios para testar a nossa capacidade de superá-los.
Em nosso próprio interior estão as nossas próprias armas para enfrentar o mal que se apresenta. Está na hora, até, de buscarmos os fatores que nos levam aos desequilíbrios emocionais, para então combatê-los. Antigamente falava-se em “Exame de Consciência”. Lembram-se? Hoje, se define como "Auto-Análise".
Vamos repassar algumas prováveis atitudes?
- Interferir nos conflitos de outras pessoas (se você não pode ajudar, não atrapalhe). Contar até cinqüenta para evitar as reações adversas impulsivas!
- Usar as palavras, mesmo duras, mas, com sabedoria e na hora certa, no momento propício!
- Não guardar só para si o que aprendeu. A sociedade só evolui através da somatória das experiências individuais.
- Não lançar “pérolas aos porcos” e não permitir que o seu sagrado espaço seja ocupado por seres indignos.
- Não dobrar a espinha frente ao que lhe é imposto por aqueles que detêm o poder de mando. Seu direito, como indivíduo, é sagrado - defenda-o!
Um ombro amigo, às vezes, ampara-o em seus momentos difíceis. Viver com dignidade e urbanidade eleva-o.
Nunca se esqueça: “quem semeia ventos colhe tempestades” e toda ação provoca uma reação de igual força em sentido inverso.
Ser honesto, humilde e solidário é mais do que obrigação e sempre somos recompensados num momento de dor.
Imagem: Flagelo de Jesus_William-Adonphe Bouguereau. .
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quarta-feira, 27 de junho de 2012
©2007 Jorge Lemos
Para Refletir (1)
Por volta das 21 horas de ontem, Segunda-Feira, recebo um telefonema de uma grande amiga querendo saber do meu estado de saúde, pois, da Sexta para o Sábado, tomamos um susto com o meu estado - passei uma noite num hospital, acometido que fui de uma arritmia cardíaca.
Não me surpreendeu a preocupação desta amiga. Sempre que possível, trocamos longos papos sobre o estado doente dos dias do mundo e o que, de duro, nos faz manifestar problemas físicos.
Ela, uma experiente professora de Letras, lembra-me de uma frase que, há muito tempo, citei, durante uma aula que proferi na Faculdade da Terceira Idade, lembrando Ernest Hemingway em seu rico trabalho literário “Por Quem os Sinos Dobram”:
”Um amor verdadeiro e real cria uma trégua da morte. Toda covardia vem de não amar ou não amar bem, o que dá no mesmo."
Antes de o sono chegar, comecei a dialogar com minha esposa sobre o tema.
Mergulhamos juntos num maior aprofundamento e chegamos a uma conclusão sobre o que é, verdadeiramente, o amor - isso, segundo nossa compreensão, qual seja:
Que papel estamos representando neste palco sublime que é a vida? Qual a nossa missão específica em nossa passagem por este plano?
As perguntas e respostas foram até o nível da revelação: O ser humano é dotado de um poder tão grande, pois é a “figura quântica da Física” de algo tão surpreendentemente poderoso. Os seres humanos ainda não se deram conta da sua dimensão.
Sei que este momento exige reflexões e ações. Não quero dar tiros no escuro. Busco certezas! Perpasso, imaginariamente, à minha volta e me surpreendo. Busco perfis de pessoas que me cercam; ao lado, minha esposa: 55 anos de companheirismo, lealdade, respeito, tolerância. Avanço. Analiso as diferenças pessoais e encontro o fator formação cultural nas pequenas diferenças. Passeio pela família, filhos, irmãos, parentes, amigos. Tento os compreender. Passo a somar virtudes e analisar o que considero defeitos.
Minha ótica está correta? Ponho-me em dúvida! Julgar? Aquilo que considero defeitos em alguns, no prato de minha balança, pode ser fruto de fatores por mim impenetráveis. Dentro da igualdade, como espécie, somos todos dotados de diferenças incríveis.
Procuro distinguir, dentro da minha visão, o racional e o que de irracional se me apresentam. Navego pelas histórias das religiões e suas crenças, mas sempre encontro seres humanos distintos. Quero mais! Quero respostas!
Na mesinha de cabeceira de minha cama, seis livros distintos. Estendo mão até um deles, ainda virgem para as minhas vistas. Ele me vem como dádiva. O conteúdo me mostra a revelação de algo surpreendentemente belo, leia:
“A busca de um sentido na vida nos incentiva a criar um projeto para as contribuições que queremos fazer. Esse projeto pode se tornar um modelo diário que nos ajuda a traçar nossos rumos e a medir nosso progresso, mas, na realidade, nada substancial acontecerá se não assumirmos o controle de nossas vidas e a responsabilidade pela concretização de nossos sonhos em busca de um mundo melhor.
Isto requer uma rigorosa disciplina. É uma fundamental energia direcionada para o que é mais importante para nós.”
Compreendi que o combustível para tudo isso não é apenas uma palavra - é a própria essência da vida que podemos traduzir apenas como AMOR!
Olhe a seu lado, imagine o cenário que gostaria de contemplar e assuma o seu verdadeiro papel como o mais importante ator neste sublime instante de vida. Imagine! Pode ser que lhe falte capacidade para alimentar cem famintos. Esforce-se e alimente apenas um. Seu exemplo será seguido e o mundo será melhor.
Louis L’Amour nos diz o seguinte:
“Somente os fracos culpam seus pais, suas raças, suas épocas, a falta de sorte ou os caprichos do destino. Cada um de nós tem dentro de si a capacidade de dizer e agir: eu sou isso hoje, eu serei melhor amanhã.”
Mas, olhe seu semelhante e procure entendê-lo. Só algo pode mudar o perfil deste mundo enfermo: o AMOR!
Durmo! Ao acordar hoje, abro os meus e-mails. Uma amiga, lá do Mato Grosso, a Ângela, me escreve entre tantos:
”Um amor verdadeiro e real, cria uma trégua da morte. Toda covardia vem de não amar, ou não amar bem, o que dá no mesmo”.
Curioso, não? Foi exatamente o que eu disse numa aula há muitos anos passados.
(Cont)
Jorge Lemos
Imagem: Man Thinking - Stephanie Clair
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segunda-feira, 28 de maio de 2012
©2007 Jorge Lemos
Ensaio Crítico: VIOLÊNCIA X VIOLÊNCIA
Talvez o mais grave processo de decomposição de um povo se processe através dos meios de comunicação. Especialmente quando ele é movido pelos altos interesses políticos e financeiros.
Não quero falar sobre a liberdade de imprensa: o direito da palavra deve estar sempre assegurado. Mas a palavra e a imagem devem obedecer a critérios rígidos de responsabilidade. Mostrar os fatos de forma transparente é obrigação de todos e direito sagrado assegurado constitucionalmente.
Quero, entretanto, expressar a grande necessidade de se estabelecer certo rigor que deve de ser mantido no controle da propagação da violência, provocando a decadência moral e deformando a estrutura educacional especialmente da nossa juventude e infância.
A televisão estabelece um nível de baixa qualidade em sua programação onde mostra a total irresponsabilidade para garantir o aumento de audiência. Campeia a mediocridade e se amplia a pouca vergonha. O sensacionalismo mais que barato faz da violência o instrumento para a sustentação da política central do “quanto pior melhor”. Há por traz de tudo um maquiavelismo programado, anestesiando a mente do cidadão, enquanto a corrupção nada de braçadas no plano político. Violência arquitetada anestesiando a população.
Poucos enxergam. As conseqüências atingem as raízes familiares. Dentro de nossos próprios lares sentimos os claros exemplos da deformação do processo civilizatório, cultural e educacional.
Surpreendo-me mesmo com a violência na TV. Dela fiz parte desde sua origem no Brasil e eu, na época, já discutia os riscos graves que poderiam advir se ocorresse a falta de responsabilidade e do sentido de auto-critica de nós, produtores e comunicadores.
Mas, a pressão comercial na luta pela audiência maior predominou e o sangue, os crimes, a violência, a falta de decoro vêm, cada vez mais, sendo aplaudidos pois o lucro vem a partir daí.
Somos também culpados? Sim!
Livremente o crime penetra em nossas casas, escolas, meio social, com fácil acesso a todas as faixas etárias e classes sociais, sem o controle dos próprios responsáveis.
Sofremos uma alteração de costumes e uma perda de valores humanos num lapso extremamente curto. A tecnologia mau aproveitada sustentou e muito contribuiu para a perda de valores fundamentais ao processo de desenvolvimento civilizatório.
Não sei qual será o fim. Talvez um novo período glacial ponha fim a tudo isto que está por ai, como já ocorreu com tantas civilizações passadas.
Um fato que ninguém pode desconhecer: não se pode cuspir para cima; toda violência gera violência como toda ação provoca uma reação em sentido inverso. Os filmes permissivos e os programas, até de emissoras consideradas fechadas, mostram abertamente a prática do uso de drogas onde se verifica o fácil aliciamento dos jovens movidos pelos maus exemplos e pela curiosidade.
O sexo fácil mostrado serve de escola para meninas e meninos da mais baixa idade, e o resultado tem sido a gravidez prematura. Notaram com filmes fazem até apologia do uso e do tráfico de drogas?
Militando na imprensa desde a minha juventude, percorrendo expressivos jornais e revistas de larga circulação e atuando em emissoras de rádio e televisão, descrente com a tendência do Jornalismo barato e sensacionalista, abracei, já no final das minhas atividades, a Publicidade e a Comunicação Social, não tem me faltado o poder da crítica.
Tive uma séria preocupação em estabelecer um rigor, mais que acentuado, na abordagem de temas que pudessem dar aos jovens exemplos pouco dignos - Isto se chama responsabilidade !
Tenho discutido, e muito, sobre este momento. Pessoas dignas a mim se somam. Muitos amigos não se sentem bem dentro da atual conjuntura, quer social, quer política. Na internet, as chamadas Redes Sociais são de uma baixeza de fazer corar santo de barro.
Meninas e meninos, que eu considerava pertencer a famílias até religiosas, embrenham-se num linguajar mais que chulo e decomposto. Usam palavras de baixíssimo calão.
PREDOMINA UMA POBREZA CLARA DE ESPÍRITO E O DESRESPEITO IMPERA !
Resolvi tomar uma atitude comportamental séria: vou deletar da minha relação de amizades alguns nomes que considero mais do que impróprios para fazer parte do meu rol de amigos. Não é por purismo, mas por respeito a mim mesmo. No meu rol de amigos - faço questão - só manterei aqueles que se apresentem cônscios de seus papéis como formadores de opinião. Olha que a leva a ser apagada é grande. Faça o mesmo. Talvez, desta forma, alguns se sintam envergonhados e assim modifiquem seu comportamento.
Não que eu seja um puritano, mas é que me vergonha mesmo!
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sábado, 12 de maio de 2012
Reflexões
©2007 Jorge Lemos
Reflexões
Há momentos sagrados em nossas vidas. Olhando à nossa volta, observamos que a evolução humana encontra dificuldades para perceber qual o papel do indivíduo em seu meio e que tipo de contribuição ele pode oferecer ao plano elevado da criação.
Encontro um pensamento: “O fato de nos sentirmos bem no nosso corpo não basta para estarmos em harmonia com nós mesmos”.
Meu interior busca respostas. Abro uma revista, aleatoriamente, e encontro, em destaque, no branco de uma página: “Conheça-te a ti mesmo”. Conheço-me? Tenho dúvidas.
Analiso-me e vejo que dei muita importância a um mundo de aparências e que fixei-me em demasia na busca de sucesso e de realizações que muito pouco a mim significaram. Senti que não havia em meu interior a completa HARMONIA para compreender momentos!
Vejo e sinto que me perdi em diversas encruzilhadas por não ter compreendido a importância do meu papel e o meu momento. Não me bastou, na vida, o intelecto que muitos me atribuem. A capa revestida de erudição e cultura, não me possibilitou enxergar que aqueles que me bajulavam, me chamavam de Mestre, a dar-me tapinhas nas costas, eram apenas oportunistas que queriam galgar posições, cargos ou funções, para por em prática ações até nefastas.
Senti-me, naquele momento de reflexão, um verdadeiro paspalho. Não havia eu encontrado, lá atrás, a necessária HARMONIA para escapar dos encômios, honrarias e elogios e dedicar-me, com mais profundidade, para servir melhor como um verdadeiro portador da sábia luz para iluminar corações escurecidos.
Hoje é tarde para recomeçar? Não! O que é o tempo senão uma centelha ante a imensidão do Criador!
Há uma composição cósmica que eleva. Há uma realidade Divina que nos proporciona, no momento certo, encontrarmo-nos numa simples encruzilhada conosco mesmo. Vejam o que amealhamos como bens materiais. A quem eles estão favorecendo? O dinheiro acumulado está propiciando a outros o beneficio do seu sustento?
Dirão muitos: “Os meus mais próximos irão se beneficiar com aquilo que colhi!” Mas essa colheita vai ajudar um ser distante com o beneficio de alimentar-se? Outros irão se sentir pouco privilegiados porque não têm materialmente o que partilhar.
Esperem! Não é necessário o recurso econômico, o dinheiro, até fácil, que lhes caiu às mãos. Pensem naqueles velhos que estão num asilo, muitos dos quais abandonados pelos próprios filhos e necessitados de um papo de meia hora para se sentirem gente! Vocês já entraram num hospital para visitar um enfermo? Já foram a um abrigo de crianças num dia de visitas e se reuniram com elas para contar histórias?
Ufa! Há coisas às quais não damos valor e que são muito importantes para tantos e tantos carentes. Neste momento, avaliei cada passo do meu instante neste plano.
Curioso: mesmo objetivando aplausos, e até reconhecimento, fiz uma pequena caminhada - encontrei-me agora! Neste momento, acordei para uma realidade. Bendigo este momento pois encontrei Deus em sua plenitude em meu interior, o que me ofereceu uma verdadeira Paz Profunda.
Saibam que me achei mais bonito quando me vi refletido num espelho. Eu havia escrito um poema, lá pelos idos de 1980, inspirado, talvez, por um sagrado mestre que dizia: “Ser feio - um feio assim que comove e que entristece. Sou feio e me conformo. É necessário arte e harmonia até para ser feio!”
No momento em que acabei de escrever este texto, uma cadela que colhi na rua, abandonada, cheia de bernes, bicheiras e com um olho perdido por briga com outro animal, entra no meu escritório, coloca-se ao meu lado. Eu a acaricio, ela me lambe a mão e coloca sua cabeça no meu colo, recebendo afagos.
Lágrimas me vieram aos olhos. Senti, então, que a Natureza Divina havia também me acolhido e me mostrado caminhos novos a percorrer!
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Qualidade de Vida
©2007 Jorge Lemos

O título acima tem me trazido uma preocupação sobre os critérios de avaliação que determinam as diferenças, para mais e para menos, entre cidades. Nas buscas empreendidas não encontrei, ainda, o que diagnostica como um padrão de vida ideal, isto porque tudo está ligado ao comportamento ético dos homens e seus limites para a ocupação racional dos espaços.
Mergulhado, como ambientalista primeiro, pelos longos anos de lutas, vivo procurando definir padrões e componentes que levem indivíduos à satisfação do viver bem.
Após anos de trabalho em empresas do governo vi-me diante de intrigantes perguntas sobre o que seria “Qualidade de Vida:. Que visão o homem moderno teria sobre o tema? Como definir?
Ao assimilar conceitos, busquei aceitar o que defendiam os precursores dos estudos ambientais, como H. Friedel, B. Dussart, F. Ramade, (aquele que tão bem escreveu o famoso trabalho “A Agressão Humana Tradicional”) e alguns outros estudiosos que nos possibilitaram enxergar um pouco mais à frente.
Quero participar da tese de que o indivíduo deve equilibrar-se com os grandes dons da natureza, como o ar, a água, o solo. A convivência equilibrada e respeitosa entre iguais e diferenciados, em relação a esses três elementos básicos leva, obrigatoriamente, à sobrevivência das espécies.
A primeira grande agressão à qualidade de vida pode ser descrita como: “desvirtuamento dos caminhos da ética e da moral, quando as agressões do indivíduo ao coletivo se processam”.
Há uma falsidade dominante e ela tem presença em todos os quadrantes do planeta. Tem futuro a humanidade? Talvez a maior interrogação, aqui, seja a proposta.
De fato, o discurso a que me proponho talvez seja extremamente complexo, mas fundamento-o em constatações reais e objetivas. Pergunto: Sua cidade tem qualidade de vida?
Olhe com seus olhos, não pelos meus. Veja a imundície e a falta de respeito que dominam as ruas. Observem os gastos astronômicos e desnecessários, fora os desvios, enquanto o fundamental saneamento básico (esgoto e água) não atente sua casa, sua rua e seu bairro, onde sob qualquer pequena chuva ou ação de ventos a energia elétrica cai, onde a telefonia emudece, não lhe possibilitando pedir socorro, se necessário.
E os transportes funcionam? Como está sua rua em matéria de conservação? Como se comportam os seus vizinhos com respeito ao recolhimento dos descartáveis? O nível de barulho respeitando as leis da boa vizinhança é praticado? E o muro ao lado de sua casa, aquele que está caindo pondo em risco a segurança de terceiros, foi consertado pelo vizinho faltoso? E aquele que bebe e sai em alta velocidade matando gente, está preso? E o médico plantonista cumpre com rigor os seus horários? E os Planos de Saúde, como lhe atendem? Tem fiscalização para controle de tudo? E os que se apossam e invadem os cofres lesando os recursos públicos? Como ficam os cofres das entidades e ONGs com os sempre crescentes roubos pelos portadores do colarinho branco? E a mídia, seja escrita, falada ou televisada, que profana a sua vida com mentiras deslavadas (raras são aquelas que se põem ao lado da verdade)?
Quando se falar em “Qualidade de Vida” tem-se que associar todos os ingredientes do nosso dia-a-dia e definir o que eles resultam.
Empoladas retóricas fazem parte de seres que se dizem defensores do meio e da qualidade de vida. Não passam eles de simples vermes usurpadores que mais poluem com suas ações e procedimentos antiéticos e amorais, danificando e corrompendo sagrados espaços de sua vida.
Invejo aquele ser nativo, o silvícola, que se equilibra com o meio, extrai o seu sustento, sem macular o seu meio, e estabelece o respeito à velhice às crianças que, por sua vez, tem de todo o grupo a responsabilidade por sua formação.
Vamos ter futuro? Como posso defender minha cidade como sendo maior portadora de qualidade de vida que a cidade vizinha se lança no manancial de que me sirvo, às jusantes, os nossos dejetos? Hipocrisia!
Gostaria de entender a mecânica usada para se definir qualidade de vida se o acesso à minha casa fica impraticável, sob chuva, para a chegada de uma ambulância para me socorrer.
É, o mundo está podre e a mentira impera.
As grandes leis da biosfera (biosfera é simplesmente “a esfera da vida”) vêm, no curso da história, sendo desrespeitadas, violentadas e agredidas impunemente, pois atrás dessas destruições e violências os muitos interesses materiais se somam.
Na próxima semana quero escrever, baseado em Paul Pellas, sobre o “Acréscimo de Matéria à Terra”. Como se não bastasse o lixo que produzimos, o sistema solar contribui para a aceleração do processo degenerativo dos planetas.
Gostaria de escrever o contrário, mas, acreditem, os Maias têm razão: o fim está próximo, a natureza, sábia e paciente, começa a dar os seus sinais de indignação.
Quem viver verá.
Escrevo para os que pensam.
Debates sobre os problemas da atualidade.
Convido meus leitores para a prática da cidadania.
Opine e contribua para a evolução da espécie humana.
Jorge Lemos
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Quando a Razão Começa a Aflorar
©2007 Jorge Lemos

"Não há razão para buscar o sofrimento, mas, se ele surgir em sua vida, não tenha medo; encare-o de frente e com a cabeça erguida!" Nietzsche
Viver é a arte de se buscar a paz. Dá-se ao tempo o tempo necessário para que caiam máscaras e, com a humildade do justo, prosseguir o seu caminhar. Devemos nos lembrar de que sempre ao fim de cada espetáculo os maus atores recebem o que merecem: as críticas e o desprezo do público.
Alguns ensinamentos devem prevalecer quando a experiência de vida lhes faltar. Por exemplo: Fujam dos que lhes dão tapas nas costas e estejam sempre precavidos contra os excessos de palavras doces e as mesuras que lhes são dirigidas. ”Sempre há falsidade se escondendo por detrás das palavras doces”, como dizia Kalil Gibram, e os interesses maiores dos falsos (sempre evasivos e desonestos) prevalecem.
Não há perdas nem vitórias, mas os feitos dignos sempre sobrepujam o mal. Se algo de decepcionante se interpuser no teu caminho, não se desespere: o tempo se incumbe sempre de mostrar a clareza das verdades!
As virtudes dos justos sempre afloram, mesmo que sejam tardiamente reconhecidas. Se os cegos - aqueles que têm olhos mas não desejam enxergar - são os piores, muito piores são os que se omitem e, levianamente, aceitam o que é errado e o que de desonesto está sendo imposto.
O parágrafo acima completa uma fase do meu sempre feliz aprendizado e faz parte de um conjunto de discussões que ocorreram recentemente entre amigos e, bem como, das profundas e importantes respostas às perguntas a mim feitas por jovens participantes de um encontro que ocorreu lá na Livraria Nobel de Vinhedo. Esse encontro se deu num Sábado de manhã, quando fomos trocar experiências sobre a iniciação em trabalhos literários.
Foram elevados os temas propostos. Nada das conversas chãs, vazias, que sempre ocorrem entre medíocres e pseudo-intelectuais, cujos encontros, às vezes, descambam para surpreendentes confissões comportamentais.
Surpreendi-me com a inteligência e a capacidade daqueles jovens de condenar até as posições antiéticas de grupos. Foram mais de duas horas de um bate-papo em que os jovens buscaram, com avidez, seus caminhos rumo à intelectualidade e à iniciação literária.
Perguntaram-me se eu tinha admiração pelos ousados. Respondi, citando um filósofo: “Os ousados morrem cedo pelos seus atos imprudentes”.
Gosto mais dos valentes. Mas não basta apenas ser um hábil espadachim; é preciso saber a quem ferir, e, muitas vezes, abster-se demonstra mais bravura ao executar um projeto cultural.
É sinal de sabedoria, reservar-se sempre para um momento mais digno, quando sempre se nos oferece ao sabor de uma maior conquista.
Buscando um tema específico para este momento deliciei-me com um pensamento que me foi oferecido meses atrás pelo Walmir Lima, poeta de raríssima sensibilidade: “Quem tem um objetivo para realizar é sempre capaz de suportar qualquer coisa!”
Compreendi o momento em que a razão se põe em nossas vidas; não cairá um fio de cabelo sem a vontade do Pai. E me ensina a amiga, a historiadora Ana Maria: “Dê tempo, deixe que o Cosmo cuida!”
Lembrei-me então de uma historinha oriental da velha sabedoria e tradição Zen que conta que um chefe guerreiro samurai foi ter com um velho e sábio mestre e perguntou-lhe:
- Mestre o inferno existe? E o céu? Diga-me onde estão estas portas que podem nos levar a um ou ao outro lugar?
O velho Mestre olha para o jovem e pergunta: - Quem é você?
- Não me conhece? Olhe-me bem, Eu sou um destemido samurai, um grande chefe que merece até o respeito do próprio imperador.
O velho, enigmaticamente, sorriu e respondeu ao guerreiro: - Você me parece um mendigo.
Ferido em seu orgulho, o guerreiro saca a sua espada e se fez pronto para degolar o ancião. O velho sábio levanta a mão num gesto e lhe diz:
- Esta é a porta do inferno!
De pronto o samurai entendeu. Ao guardar a arma na bainha, disse-lhe o sábio:
- Esta é a porta do céu!
Sabemos o quanto é difícil reconhecer o seu momento.
Imagem: Wisdom Tree, a Árvore da Sabedoria
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Convite Amigo
©2007 Jorge Lemos
Jorge Lemos
CONVITE AMIGO
Dia 18 de Novembro de 2011, às 19:30hs
Para o lançamento dos três novos livros do escritor
Jorge Alfredo Gomes Lemos
* A PEDRA DO DIABO *
* GANGA VIVA *
e
* VENTO QUE LEVA -
VENTURAS e DESVENTURAS de TONHÃO DA FONSECA *
-o0o-
Antes da sessão de autógrafos haverá
MINI-OFICINA DE CRIAÇÃO
(Com a participação do artista plástico
Luis Gustavo Paffaro)
e
DELICIOSO COQUETEL
Jorge Lemos e Paffaro gostariam de contar com sua presença.
Local:
Livraria NOBEL
Av. Benedito Storani, 111 Centro – Vinhedo
(Os direitos autorais serão revertidos para a Creche do Centro Espírita Paulo de Tarso)
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011
O Desesperado Grito do Abandono
©2007 Jorge Lemos
Necessitamos rever o nosso papel de humanos.
Os últimos acontecimentos violentos em escolas no Brasil colocam-nos numa terrível encruzilhada. Faltam placas de orientação. A humanidade está perdida e trôpega em seu caminhar.
Aquele desesperador fato ocorrido em São Caetano, onde uma criança de 10 anos usa a arma do pai, vai para a escola e atira na professora e se mata em seguida, pergunto: não seria um desesperado grito de apelo desta infância e juventude sem orientação para atingir o seu destino?
Indago-me em que ponto a humanidade está frente à luz da história? Seria o causador desta cegueira coletiva a perseguição desenfreada de bens materiais? Esta violência sem limites, exibida pelos canais de Televisão não estaria contribuindo e influenciando nossas crianças?
Aqui já escrevi que nosso Brasil está à deriva. Ao invés dos mirabolantes gastos com os mais que supérfluos estádios não seriam mais bem aproveitados tais recursos para a construção de escolas integrais, com alimentação sadia e formação profissional com acompanhamento psicológico para os jovens?
Por que becos se esconderam os defensores da moral?
Como abrir os portões de oportunidades para tantos e tantos carentes de afeto e oportunidades?
Para onde foram aqueles que se diziam puros e transparentes?
Atrás de que mesas se escondem aqueles defensores da sociedade igualitária? Não estariam eles, movidos pela ambição, lutando por seu enriquecimento de forma vergonhosa?
Falta vergonha, brio, decência, respeito, honestidade neste plano do poder!
Vou repetir Ferreira Gullar: “Por esperteza e conveniência, porem, tentam fingir que se mantêm fiéis aos ideais socialistas. Desse modo, dizendo uma coisa e fazendo outra eles enganam os mal informados, e usam o poder político e institucional para intermediar interesses de grupos econômicos nos contratos com o Estado brasileiro”.
O povo está anestesiado. Abriram-se as comportas da ambição e esqueceram de que só a construção do amor, do respeito, poderá ocorrer recuperação da família e da própria sociedade.
Amigos, tenho vergonha deste momento que vivemos. O ato praticado por essa criança de 10 anos e que vem se somar a tantas outras de igual agressividade é fruto da nossa total e completa omissão.
Os vampiros do poder e da política estão soltos. Estamos sendo devorados pelo vampirismo da falta de vergonha e da dignidade. Envergonho-me!
Meses passados, um amigo meu de respeito e estrutura moral de um verdadeiro justo foi abordado ali, na Estrada da Boiada, perto do Carrefour de Vinhedo, por uma menor (menina que não deveria ter mais do que 12 anos), oferecendo-se para sexo total, detalhadamente proposto.
Esta criança também já cometeu o seu suicídio!
O que vocês estão fazendo para salvar a nossa infância?
Acordem meus amigos!
.
Os últimos acontecimentos violentos em escolas no Brasil colocam-nos numa terrível encruzilhada. Faltam placas de orientação. A humanidade está perdida e trôpega em seu caminhar.
Aquele desesperador fato ocorrido em São Caetano, onde uma criança de 10 anos usa a arma do pai, vai para a escola e atira na professora e se mata em seguida, pergunto: não seria um desesperado grito de apelo desta infância e juventude sem orientação para atingir o seu destino?
Indago-me em que ponto a humanidade está frente à luz da história? Seria o causador desta cegueira coletiva a perseguição desenfreada de bens materiais? Esta violência sem limites, exibida pelos canais de Televisão não estaria contribuindo e influenciando nossas crianças?
Aqui já escrevi que nosso Brasil está à deriva. Ao invés dos mirabolantes gastos com os mais que supérfluos estádios não seriam mais bem aproveitados tais recursos para a construção de escolas integrais, com alimentação sadia e formação profissional com acompanhamento psicológico para os jovens?
Por que becos se esconderam os defensores da moral?
Como abrir os portões de oportunidades para tantos e tantos carentes de afeto e oportunidades?
Para onde foram aqueles que se diziam puros e transparentes?
Atrás de que mesas se escondem aqueles defensores da sociedade igualitária? Não estariam eles, movidos pela ambição, lutando por seu enriquecimento de forma vergonhosa?
Falta vergonha, brio, decência, respeito, honestidade neste plano do poder!
Vou repetir Ferreira Gullar: “Por esperteza e conveniência, porem, tentam fingir que se mantêm fiéis aos ideais socialistas. Desse modo, dizendo uma coisa e fazendo outra eles enganam os mal informados, e usam o poder político e institucional para intermediar interesses de grupos econômicos nos contratos com o Estado brasileiro”.
O povo está anestesiado. Abriram-se as comportas da ambição e esqueceram de que só a construção do amor, do respeito, poderá ocorrer recuperação da família e da própria sociedade.
Amigos, tenho vergonha deste momento que vivemos. O ato praticado por essa criança de 10 anos e que vem se somar a tantas outras de igual agressividade é fruto da nossa total e completa omissão.
Os vampiros do poder e da política estão soltos. Estamos sendo devorados pelo vampirismo da falta de vergonha e da dignidade. Envergonho-me!
Meses passados, um amigo meu de respeito e estrutura moral de um verdadeiro justo foi abordado ali, na Estrada da Boiada, perto do Carrefour de Vinhedo, por uma menor (menina que não deveria ter mais do que 12 anos), oferecendo-se para sexo total, detalhadamente proposto.
Esta criança também já cometeu o seu suicídio!
O que vocês estão fazendo para salvar a nossa infância?
Acordem meus amigos!
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O Navegante
Jorge Lemos
Louveira - SP, Brasil
Jornalista, poeta, escritor, historiador, fundador da Academia
Metropolitana de Letras, Artes e Ciências.
Prêmio concedido na Espanha
O Rio
Bendisseram todos os oceanos
o gesto deste rio ousado que
impregnou de um doce amor o
sal de todas as águas.
Nessa doce lembrança dos meus tempos de criança, volto sempre às margens do meu rio para lavar em
suas águas minhas tristezas e mágoas.
Nessa doce lembrança dos meus tempos de criança, volto sempre às margens do meu rio para lavar em
suas águas minhas tristezas e mágoas.
Outros Cais
Conselho de Meio Ambiente dos Lions Clubes
Flávio Ferrari
Ernesto Dias Jr.
Ana, de España
Anne Marie Moor
Jorge Lemos (Coluna na Folha de Vinhedo)
Walmir Lima
Luiz Gustavo Paffaro
Bloguenígenas
António Tapadinhas
Maria Alcântara
Zuleica Ferrari
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